20 Dicas para Manter a Inspiração

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Por: Hannah Dias



Olá, pessoal! Mais um post meu aqui no blog, que coisa linda!

Estamos aqui hoje para conversar sobre um assunto que todo escritor precisa parar para pensar um pouco. Utilidade pública, galera! O tema desse post é: INSPIRAÇÃO.

Essa palavrinha linda contrapõe uma chatinha que é a DESMOTIVAÇÃO, antônima da palavra MOTIVAÇÃO, que está ligada à INSPIRAÇÃO. Vamos falar disso hoje. Primeiro porque todo mundo precisa de um discurso bonito para melhorar o ânimo, segundo porque eu também estou precisando de um empurrão para tomar vergonha na cara e escrever minhas histórias.

Eu sei que a criação de uma história pode ser extremamente gratificante. Tudo parece em paz com a vida. O céu sorri para você. Os dias estão mais bonitos e parece que o Universo finalmente (finalmente!!) está ao seu lado para dar um "up" nas situações que você vive. Somos escritores aqui, tendeu? Eu sei disso. Tu sabes disso. Machado de Assis sabia disso.

O problema começa quando esse processo maravilindo tem alguns problemas no caminho. E eles são horríveis. Tudo despenca. Você não consegue escrever uma frase. Seus personagens não têm sentido, as cenas que pulavam na sua cabeça desapareceram e/ou perderam o brilho, sua gramática foge dos seus dedos e parece que aqueles bons 12 anos de escola não fizeram nenhuma diferença na sua vida. E o que você faz? Você desiste, deixa para depois, sente inveja do amiguinho que consegue escrever uns 20 parágrafos em uma tarde, toma um pote de sorvete, chora um pouquinho e vai assistir série.

Sem julgamentos. Eu também faço isso.

            Todo mundo fala da boa vida de escritor, mas ninguém te conta os contras que essa profissão incrível traz. Baixa autoestima, desespero, desesperança, tudo isso vem junto da alegria, realização e confiança.

            Mas, eu vou te contar um segredinho: todo aquele sentimento que você está falhando em toda palavra que escreve? Ele não existe de verdade. Você apenas falha quando PARA de escrever.
            Vou te dar 20 dicas para se motivar e se inspirar. VINTE! Vinte que vieram da minha cabeça e das pesquisas que o amigo Google proporciona. Todos eles funcionam, caso você esteja em sintonia com aquilo que ama: escrever.

1.      Escolha uma área agradável para escrever: Posso ser sincera e dizer que essa dica realmente funciona. Estou morando há quatro anos em Brasília, mas antes morei no Rio Grande do Sul. E quando me mudei, meu quarto era bem feinho. A luz era péssima, a cor da parede me lembrava vômito (sem brincadeira) e o meu guarda-roupa parecia aquele que leva a Nárnia. Pedi para minha mãe uma mudança e deixei tudo do jeito que eu mais queria. Hoje, amo escrever quando estou no meu quarto. Um sentimento bom demais.
2.      Tenha momentos de pausa: TODO mundo precisa dar um tempo em seu ofício. Mesmo o trabalho mais prazeroso pode causar estresse. Vá ler um bom livro, assistir um filme ou passear com o seu cachorro. Isso é uma ordem!!
3.      Desenvolva uma rotina: Eu acredito que aquela famosa expressão de "viver no automático" pode fazer bem. Uma rotina é o que mais motiva uma pessoa para levantar e fazer aquilo que está planejado para o dia. Existem diversas maneiras para planejar a sua rotina de forma divertida e gostosa. Quem sabe um planner ou um bullet journal?
4.      Identifique e SUPERE as suas limitações: Veja o que está te prendendo e tente mudar isso. É por causa da falta de vocabulário? Leia um livro. Falta de ideias? Veja um filme. É baixa autoestima? Leia esse post!
5.      Confie em sua criatividade: Ser um escritor é ser um ARTISTA. Você já tem toda a criatividade necessária para escrever uma boa história. Faz parte de quem você é. Confie nisso.
6.      Continue, continue, continue: Continue escrevendo! Não para! Go, go, go! Confie em si mesmo e pegue o papel (ou o computador) e escreva o que quiser. Nem que seja uma lista de compras do mês.
7.      NUNCA pare de aprender: Nosso português é rico em regras, palavras e tudo que há de bom. E, por ser tão diverso, é preciso ter sempre uma gramática por perto para estar "bebendo" do conhecimento contido nela. Minha antiga professora de português falava que a gramática era igual a problemas matemáticos: tem que treinar bastante! Aliás, não apenas a gramática! Exercite a sua mente em diversas áreas de aprendizagem para que suas histórias sejam ricas em conhecimento!
8.      Seja amoroso consigo mesmo: Por tudo que é mais sagrado, se trate com carinho. Você merece. Não seja exigente demais. Perfeccionista demais. NADA "demais". Apenas entenda que você tem (e vai continuar tendo, deal with it!!) limites e precisa aceitar eles, para que possa superá-los de maneira saudável.
9.      Lembre-se do porquê você escreve: Essa é uma dica importante. Por que você escreve?
10.  Comemore suas vitórias: Não existe pequena ou grande vitória. Qualquer meta que você cumpre merece comemoração. Se conseguiu escrever um parágrafo inteiro, fique feliz! Saia com os seus amigos, coma um pedaço de bolo, dance sozinho no quarto. Continue se motivando!
11.  Escreva o que você quiser: "Mas, se o que eu quiser escrever for muito comum?" Ok, pode ser comum, como um romance entre nerd e popular. Já vimos várias vezes, blah blah blah. O problema é que ainda não vimos o que foi escrito por você. Comum ou não. Sendo de sua autoria já será, na simplicidade da palavra, original.
12.  Assista filmes/séries ou ouça músicas que você ame: Como eu disse, somos artistas. Artistas precisam estar em contato com outros artistas. Pense comigo: uma música foi escrita por alguém. Querendo ou não, essa pessoa é um escritor e isso pode te motivar. Um filme ou uma série tiveram roteiros escritos por pessoas (alô, Shonda Rhimes, maravilhosa!!) e isso também pode te inspirar. Observar o trabalho de outras pessoas sempre faz bem para o nosso próprio desenvolvimento pessoal.
13.  Leia, leia e leia mais um pouco: O lado bom de ser escritor é a oportunidade de simplesmente GOSTAR de ler livros o tempo todo. Aprecie isso. Lendo, a sua escrita melhora uns 20% (nada fundamentado, apenas chutei um número. Hehe). Por que não? Além disso, ler é muito bom, gente. Fala sério!!
14.  Peça conselhos: O lado bom de se ter um beta (eu tive uma e ela estará sempre em meu coração) é que você aprende MUITA coisa. Com a minha beta (que tive aos meus 12 anos), aprendi tanto sobre escrever que fico até assustada. Sempre que eu tinha dúvidas, ela me ajudava com muita paciência e isso é muito bom. Peça ajuda das pessoas. Pergunte o que você não sabe. E veja a mágica acontecer.
15.  Planejar é legal, mas ficar apenas no planejamento não: Eu amo criar fichas e fichas de personagens para uma história nova. Eu crio de tudo. Parece que é a minha história em tópicos! O problema é ficar apenas no planejamento e nunca partir para a escrita, né? Planejar é bom, mas escrever é melhor.
16.  Veja fotos no Pinterest (hahaha!): ESSE EU AMO! PARA TUDO! Há dias que fico mais de duas horas apenas vendo foto no Pinterest e lá tem tanta coisa para se inspirar. Fique uma meia hora pesquisando fotos lá e entre para esse mundo repleto de inspiração!
17.  Mantenha perto o que te deixa feliz: Quando for escrever, deixe uma foto que você ama por perto. Um quadro, um livro, um objeto… Qualquer coisa que só de você olhar, já te coloque aquele sorrisão no rosto.
18.  Acredite na sua capacidade: Você é capaz. Tudo está ao seu alcance! Entenda e sinta isso. Você pode escrever uma boa história. Você pode escrever um bom livro. Você consegue. Tudo que você desejar já é seu.
19.  Cerque-se de pessoas que te apoiam: Ter um grupo de pessoas que estão sempre dispostos a te animar, te ajudar e te lembrar o quanto você é incrível ajuda muito. Ter a liberdade de simplesmente contar o que nos incomoda para outras pessoas que sabemos que nos amam é incrível. E sempre existirão pessoas assim. Sempre! Procure, encontre e mantenha elas em um potinho!
20.  Divirta-se: Escreva feliz. Esse é o maior segredo para se livrar da desmotivação e da falta de inspiração. Felicidade. Diversão. Encontre isso e fique bem!

Ufa! Gente, que lista longa!

Eu quero todos bem, escrevendo até a mão não aguentar! Eu quero que essa geração de escritores encontre no papel (ou no computador) uma forma de se sentirem livres e desinibidos. Fortes, confiantes e felizes. Não sejam tímidos. Escrevam. Está ruim? Ótimo! Continue! Está bom? Melhor ainda! Continue!

Lembre-se de uma coisa fundamental: talento é importante para escrever bem, mas o verdadeiro talento é ter a determinação para seguir em frente.

O verdadeiro segredo para sua motivação, o verdadeiro segredo para sua inspiração está nisso: Continue escrevendo. Persevere. Não pare. Não tenha medo de falhar (e o que é "falhar", afinal?). Eu disse antes e repito: você só está falhando quando para de escrever.
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Quer Publicar seu Livro? Pergunte-me Como! - Parte 1

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Olá, pessoas. Como vão? Espero que bem :3
Já vamos começar o ano novo atendendo a (muitos) pedidos e falar sobe aquela parte de escrever um livro que é a glória para muitos autores: a danada da publicação.
O post completo acabou ficando gigantesco (sério, quase um TCC) e será dividido em (várias) partes para facilitar a leitura.
Se você está pensando em terminar uma história para publicar ou já tem o texto pronto, mas ainda não sabe bem o que fazer a seguir, este post é para você.
Vem!


“Eu devo publicar meu livro?”
Essa é uma excelente pergunta para começar se fazendo.
Já adianto a resposta: não, você não deve se sentir na obrigação de publicar apenas porque seus amigos publicaram ou seus leitores pediram.
Esse desejo tem que partir de você.
A estrada para quem deseja ter sua obra nas estantes alheias não é fácil e se esse sonho não vem de seu interior, maiores as chances de você se desmotivar.
Além disso, você não precisa ter sua obra impressa para que ela valha a pena. Publicar não vai fazer seu texto melhor ou pior do que os outros. Apenas vai deixá-lo disponível de uma forma diferente.
Então reflita. “Eu quero publicar essa obra e estou preparado/a para enfrentar a jornada que vem por aí?”
Se a resposta for “sim”, passemos para o tópico a seguir.


"Que cuidados eu preciso ter antes de publicar?"
Primeiramente, registre a autoria de sua obra. Aliás, mesmo que seu texto fique apenas em alguma plataforma online, é altamente recomendado que você registre se for original.
Ao contrário do que alguns pensam, isso não vai evitar plágios. Infelizmente, a única forma de ter certeza de que não será plagiado é não mostrar seu texto para ninguém. Porém você tem como provar que aquela obra é mesmo sua em caso de cópia e tomar providências (inclusive judiciais) para fazer valer seus direitos.

“Tia Michele, comofas/ para registrar?”
Vamos ver, com bastante calma e passo a passo.



Registrando na Biblioteca Nacional
O processo é meio longo, mas vale muito a pena. Segundo o site deles, você tem que seguir os passos:

Prepare seu texto para envio:
Se sua obra não está publicada fisicamente ainda (é inédita), você precisa imprimir uma via com todas as páginas numeradas. Feito isso, você precisa assiná-las (sim, todas... boa sorte na fisioterapia contra tendinite depois).
Na capa, coloque o nome da obra e seus dados (nome completo, RG, CPF, cidade e ano). Não esqueça: não grampeie nem encaderne as páginas, okay?
Se sua obra já está no formato físico, envie dois exemplares.

Bitch, better have my money!
Sim, o serviço é pago. Melhor já ir juntando as moedinhas.
Mas enfim, vá a esta página e gere o boleto bancário. Não esqueça de preencher os seguintes campos:
Código de Recolhimento: 28830-6
Nome do Pagante: [o seu rs]
CPF ou CNPJ:
UG: Fundação Biblioteca Nacional – Código 3440042/34209
Valor: R$ [consulte aqui a tabela de valores]

Caso não consiga gerar o boleto, você pode pagar em qualquer agência do Banco do Brasil através de depósito bancário. Não esqueça os dados:
Transação: 210
Opção: 7
Cliente: Conta Única do Tesouro Nacional
Identificador 1: 3.440.423.420.928.830 6

Preencha o Formulário
Baixe o formulário de Requerimento de Registro ou Averbação [neste link], imprima e preencha à mão.
Mas atenção: há alguns campos cujo preenchimento fica a cargo da BN. Leia com cuidado.
Dados do registro: este bloco é para preenchimento do EDA (Escritório de Direitos Autorais). Deixe em branco.
Informações sobre a obra intelectual: Preencha os campos com as informações sobre a obra. "Número de páginas” se refere à versão que está sendo enviada. Se for a impressão de obra não publicada (inédita), informe o número de páginas impressas. Se for a obra já publicada, informe o número de páginas da publicação. Ah! O “romance” ali não é quanto ao tema, e sim ao gênero literário, ou seja: “uma sequência de fatos interligados que ocorrem ao longo de certo tempo”. Fonte. Em outras palavras: uma história tão longa quanto essa série de postagens (rs).
Dados de identificação: Informe os dados do requerente dos direitos autorais. Se houver outros requerentes (como ilustrador, tradutor, outro autor, etc.) preencha os blocos subsequentes "Outros Requerentes".
Representante legal: Preencha apenas caso o autor seja menor de 18 anos, e informe os dados do responsável pelo menor.
Obra intelectual é adaptação e/ou tradução: Preencha apenas caso a obra seja uma adaptação e/ou tradução [/Capitã Óbvia].
Observações: Preencha apenas caso queira fazer alguma observação [/Capitã Óbvia 2]
Disposições finais: Assine para declarar a veracidade das informações e sua responsabilidade pela obra intelectual. Se houver mais de um requerente, todos devem assinar.
Preenchimento a cargo da instituição: Este bloco é para preenchimento do EDA [/Capitã Óbvia 3]. Deixe em branco.

Papers, please!
Agora você vai precisar reunir alguns documentos para passarmos para a próxima etapa.
Pegue um envelope e coloque nele, tudo organizadinho, tudo bonitinho:
O formulário preenchido conforme o item anterior;
Comprovante original de pagamento da GRU (Guia de Recolhimento à União) (sugestão: tire uma xérox e guarde-a. Mesmo nossos Correios sendo lindos e nunca perdendo coisas COF COF nunca se sabe, né?);
A obra a ser registrada (uma ou duas vias, como já vimos);
Cópia do contrato de cessão de direitos (se houver).

Além disso, dependendo do seu caso, vai precisar de mais alguns documentinhos. Melhor ver em qual caso você se encaixa e anotar a lista rs

Autor Pessoa Física:
Cópia de RG e CPF/CIC do(s) requerente(s);
Cópia do comprovante de residência do requerente principal, conforme os dados informados no formulário.

Autor Menor de Idade:
Cópia do RG e CPF/CIC do Representante Legal;
Cópia do comprovante de residência do representante legal do autor.

Autor Pessoa Jurídica:
Cópia do CNPJ do(s) requerente(s);
Cópia do Contrato/Estatuto Social;
Cópia da Ata de Constituição e/ou Assembleia.

Solicitação de Registro via Procuração
Procuração original (com firma reconhecida ou cópia autenticada) constando: endereço completo com CEP, CPF e/ou CNPJ do procurador e dados do autor representado.

Prepare-se para gastar mais (ops!)
É chegada a hora de pegar esse tijolo envelopado (rs) e despachar para alcançar seu objetivo. Você pode enviar de duas formas: pelo Correio ou procurando presencialmente em algum Posto Avançado do EDA mais próximo de você. Tia Michele vai facilitar sua vida e jogar bem na sua cara (♪) um link com os endereços.
Caso precise enviar pelos Correios, mande um SEDEX ou Carta Registrada para:
Escritório de Direitos Autorais (EDA)
Palácio Gustavo Capanema
Rua da Imprensa 16, 12º andar
Centro, Rio de Janeiro, RJ
CEP 20030-120

Calma que tá quase lá!
Com tudo isso feito, agora é só aguardar o Certificado e Registro ou Averbação que será enviado para o endereço registrado no formulário através dos Correios.

“E se eu mudar a obra? Preciso fazer outro registro?”
Sinceramente, a informação não está bem clara no site nem nos outros que pesquisei, mas o mais óbvio é registrar novamente se fizer mudanças muito extensas no conteúdo da obra. Se for algo como correção ortográfica, inclusão ou retirada de trechos pequenos, algo do tipo, pelo que vi, pode permanecer o mesmo registro. Por via das dúvidas, pesquise mais antes de qualquer coisa.

Enquanto esperamos (pode levar até 90 dias, mas caso não receba em até 6 meses, clique aqui para saber o que fazer), vamos tomar um chá com bolinhos e aproveito para informar o tema da próxima postagem: vamos aprender o que é e para qual chefe dos 9 círculos do inferno precisamos vender a alma para conseguir o tão famoso ISBN.
Não descola da cadeira que a gente volta daqui a algumas semanas.
Até a próxima.
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Resenha: O Pecador, Tess Gerritsen

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Por: Cris Reese
Perfil: https://fanfiction.com.br/u/595046/


Hello! Hello! Estou saltitante pela minha estreia como resenhista! E como toda boa estreia, escolhi o melhor: trouxe minha escritora predileta Tess Gerritsen. 
Tess pertence ao suspense policial com uma pitada muito grande de suspense médico. Stephen king, inclusive, disse “Gerritsen é leitura obrigatória em minha casa”. Olha a moral da moça!
A lista de livros que ela lançou é um pouco extensa, já estamos na segunda dezena (YAAAHHH) e não há previsão de aposentadoria. Trago o meu livro preferido dela, O pecador (The Sinner, 2003), para marcar meu começo aqui.
Vamos falar sobre a autora antes. “Tão arrepiante quanto intrincado, 'O pecador' mostra Tess Gerritsen no auge da forma, revelando a sua experiência nos porões da investigação criminal. Através de visões profundas da alma de seus personagens e a rica descrição da luta diária do bem contra o mal, pulsa o coração de um romance de suspense irresistível.” BBC
Tess é formada em medicina, no entanto, largou o jaleco e se empenhou na escrita após um manuscrito ser bem aceito por um certo tipo de público. Seu livro de estreia (e best seller) foi O Cirurgião, que trouxe um suspense policial eletrizante e uma narração (na visão do serial killer) maravilhosa. Uma personagem se destacou muito, a detetive Jane Rizzoli, se tornando a personagem principal da maioria de livros que a Tess lançou. A personalidade forte de Jane permaneceu na sequência “Dublê de Corpos”, que trouxe a estreia de mais uma personagem que se tornou uma segunda protagonista também, a patologista Maura Isles.
Então chegamos ao livro que eu trouxe para nossa resenha de hoje, o terceiro livro, O Pecador. Ele não possui um serial killer como os outros anteriores, na verdade. Nem temos noção do que está acontecendo até a história ser toda esfregada em nossa cara e a gente ficar com cara de bobo olhando para o nada pensando “como não vi isso?”.

*Mesmo que seja sequência (novel Rizzoli and Isles), é possível ler qualquer livro da Tess fora da ordem porque eles são bem independentes.*
Vamos falar sobre o livro agora, afinal, estamos aqui para isso *pensativa enquanto toma o chá*.
Tess possui uma escrita bem detalhada, de certa forma, bem nua e crua, e isso ficou mais evidente nesse livro. Ela possui uma forma própria de narrar as cenas em terceira pessoa e incluir a visão de um único personagem junto. Sabe quando você está lendo algo e uma frase te pega e te joga no chão? Pois é, os livros dela são cheios disso, O Pecador em especial. Ele começa com uma cena solta que não parece ter nexo com a história, mas traz uma revelação surreal durante a trama.
A história começa girando em torno de dois homicídios dentro de um convento totalmente isolado. Duas freiras são brutalmente assassinadas, uma ainda é levada ao hospital.... mas... pois é... vamos só dizer que foram dois homicídios brutais por enquanto.
Cada uma possui uma história própria que nos leva a experimentar sentimentos conflitantes e uma delas estava grávida (ops!) e teve o bebê no convento, mas ninguém soube disso e muito menos sabem aonde está essa criança. Quanto mais o caso aprofunda, mais temos a certeza que as mortes são apenas a ponta de um iceberg. Uma frase que jamais saiu da minha mente quando eu estava lendo sobre as histórias dela (que são fragmentos perdidos que vamos juntando com o desenvolvimento do livro) foi “As pessoas que mais amamos são as que podem nos infligir as dores mais profundas”. Essa frase marcou minha vida! Dentro do contexto da história ficou perfeita!

Esse livro possui uma tensão mais forte na parte psicológica, os personagens estão sendo desenvolvidos e nos vemos perdidos em meio a teia de sentimentos e dúvidas que eles estão enfrentando. Tess mostrou nesse livro uma escrita muito realista, sentimos que conhecemos aqueles personagens e vivenciamos as dores e medos junto com eles a cada capítulo.
Jane e Maura precisam tomar decisões que mudarão o rumo de suas vidas, uma virada de 360° que nos deixa apreensivos.
Jane Rizzoli é uma detetive forte e teimosa. A coragem, perspicácia e persistência dela é, muitas vezes, inacreditável. Ela é tão corajosa que quase beira a burrice ao tomar certas atitudes. Há muitos problemas com sua família e eles são nos apresentado na sequência dos livros. Sua personalidade sarcástica e irônica nos tira algumas boas risadas. Seu apelido é “bruxa”, por seu mau humor constante, sobrando tudo para seu parceiro Frost.
Maura Isles possui o apelido de “rainha dos mortos”, não apenas pela sua profissão de patologista, mas por sua frieza. No desenvolver do livro, enxergamos uma outra Maura, uma pessoa que transborda sentimentos e não é tão segura quanto aparenta. Ela também possui problemas que são duramente resolvidos nesse livro... bem, alguns deles.

Comparando com os outros livros:
Além das duas mortes, mais um corpo é encontrado de uma forma nada bonita e descobrimos que ele tem uma forte ligação com a morte das freiras. Porém não há um serial killer, há muitas coisas por trás dessas mortes (politica até), mas só enxergamos quando o êxtase do livro já nos enlaçou e está nos tirando o ar. Sério! Não posso falar sobre as cenas por ser de suspense, os detalhes são reveladores e desejo que vocês percam o fôlego ao ler uma certa parte que acontece com uma das protagonistas. Sobre essa cena, lembro que estava lendo no ônibus e eu fiquei tão fissurada na leitura que passei meu ponto de descida, fui até a garagem do ônibus e iniciei a nova viagem com eles... aí desci no meu ponto, mas fiquei andando igual lerda na rua após a cena de ação e emoção que li no livro. Vou evitar falar dos gritinhos que dei enquanto lia, as pessoas no ônibus nunca mais me olharam da mesma forma.
Enfim, quem está cansado daquela coisa ultrapassada de “um serial killer, um policial fodão e muita pancadaria”, irá gostar dos livros da Tess. Esse é mais profundo no quesito sentimentos e tensão, mas há outros com serial killer. Nenhum dos livros dela possuem o “quem foi que matou?”, mas sim uma investigação que vamos investigando junto, é tudo bem amplo, muito bem estruturado e o mais interessante, tudo está ligado de alguma forma.

Minha nota em 10 é 9,5 devido a um detalhe no final, eu torcia por outra coisa.
Ah! Já estava esquecendo de algo importante, há uma série (infelizmente terminada) com as personagens desse livro. Sim, Jane e Maura. E adivinhem só, chama Rizzoli e Isles, pertence a TNT e foi encerrada em 2017 (snif).
Se gostou deposite seu comentário na caixinha abaixo, por favor.
Obrigada por ter chegado até esse ponto da resenha e até a próxima! ^^
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O que Seria Literatura e O que Seria Entretenimento?

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Por: Hannah Dias

 
            Olá, pessoas! Como vocês estão? Como anda o mundo literário de vocês? Espero (do fundo do meu coração) que esteja cheio de aventuras!

            Esta é minha primeira postagem aqui no Blog da Liga e é uma honra poder conversar com vocês sobre um tema que tem muito a ver comigo, mesmo sendo uma pirralha. Na verdade, acredito que, sendo pirralha, posso falar mais abertamente sobre o que sinto em relação a um dos grandes problemas da literatura atual, principalmente por ser uma das protagonistas. Há uma divergência muito grande entre os acadêmicos (vulgo chefões, letrados, estudados, galera que manda em tudo) e os adolescentes (eu, tu, nós, vós; os bebês que ainda não entendem muito da vida e adoram gritar alto) e pessoas "comuns", por causa do grande preconceito existente entre ambos os lados.


            E o que isso tem a ver comigo? Eu sou uma adolescente e meus pais são pessoas desse ramo de chefões, manda-chuvas, doutores em tudo, iluminados pelos seres divinos com uma sabedoria além do normal. Eles sempre incentivaram minha leitura e foi algo que agradeço aos céus por ter acontecido, porém… quando cresci e deixei de ser ignorante (um pouco, apenas), meus pais decidiram que era o momento para deixar as ficções "infantis" de lado e ir para o mundo dos letrados do século XIX e XX. "Há uma diferença entre leitura para prazer e leitura para conhecimento", eles disseram.

            Então vamos começar pelo básico do básico, amiguinhos. O que é "Literatura"? E o que é "Entretenimento"?


LITERATURA

1.    lit uso estético da linguagem escrita; arte literária.

2.    lit conjunto de obras literárias de reconhecido valor estético, pertencentes a um país, época, gênero etc.



ENTRETENIMENTO

  1. Divertimento; o que diverte e distrai; o que é feito como diversão ou para se entreter: canal de entretenimento; local de entretenimento.

2.    Ação ou efeito de entreter; ato de se divertir, de se distrair.
 

Certo, entenderam? Simples, né? Me digam, por qual vocês mais se atraíram?

O certo não seria dizer: "os dois"? Simples. Porém, atualmente, o conceito de "literatura" e "entretenimento" não estão na mesma página. É aquela coisa de "Há tempo para diversão e tempo para trabalho". Por que não há tempo para os dois juntos? Por que a linguagem foi colocada como algo predominante nos conceitos acadêmicos, que apenas um grupo seleto de pessoas conseguem entender de maneira plena? Por que nós, reles mortais, não podemos ser como eles?

Eu acredito que o julgamento é algo bem comum. Comum demais. Deixamos que os outros, que nem sabemos quem são, falem o que é um livro/história boa ou ruim. Deixamos que eles peguem os nossos livros, com um estrondoso número de vendas, e ditem que é uma literatura barata. Deixamos que menosprezem os nossos gostos, além de menosprezar autores que dão o sangue para criar suas obras, que na opinião de um (PEQUENO) grupo elitista é ruim, apenas por não ter diversos jogos de linguagem e palavras "difíceis", que demonstram certo tipo, meio deturpado, de genialidade pessoal. Então, essas mesmas pessoas, criam obras apenas para as críticas e para se classificarem como uma estirpe iluminada, mas que estão apenas presas num conceito elitista e pretensioso.

Vamos jogar no ventilador: você passa doze anos na escola e, o livro que os seus professores colocam na sua mesa é um belo exemplar de "Memórias Póstumas de Brás Cubas" aos seus treze anos. É um livro ruim? Obviamente que não. Mas você tem treze anos. Você não quer ler Machado de Assis, você quer ir para casa dormir. E o que isso faz? Colocamos na cabeça das nossas crianças e adolescentes que "ler é chato" e jogamos a leitura em um patamar desnecessário e segregatório. Afinal, quem, me diga quem, com treze anos consegue entender plenamente um livro de Machado de Assis?

            E esse é apenas parte do problema. O pessoal "superficial" se abstêm desse tipo de livro, mas sempre fala. O famoso "encher linguiça": "Machado de Assis é maravilhoso!", porém nunca conseguiu pegar em sequer uma página de um Dom Casmurro e também não pretende. Prefere ler Harry Potter, mas tem vergonha de admitir isso, por causa da quantidade infindável de críticas de autores que apenas estão preocupados com a satisfação de uma vaidade intelectual. O outro grupo é aquele que fala que nunca leu Machado de Assis, não quer ler, afinal, é "chato", e prefere John Green e companhia. Os grandes Best-sellers, capa do The New York Times, o famoso "conteúdo de entretenimento".

Então, fica a pergunta: quem ganha?

            E eu te respondo: ninguém.

            Literatura é uma arte e não podemos rotular arte. Só porque um livro é popular não quer dizer que é ruim. Só porque a pessoa prefere Harry Potter à Dom Casmurro, não quer dizer que ela não possui uma habilidade de interpretação. Além disso, as pessoas que preferem Dom Casmurro à Harry Potter também não são piores. E nem melhores (deixando isso beeeem claro). Exagerar o lugar da literatura demonstra apenas um pensamento ignorante e preconceituoso. O século XXI é recheado de talentos e oportunidades. Ficar preso aos criadores de eras passadas podem nos limitar. E isso não quer dizer que os grandes escritores devem ser esquecidos, mas sim, que os grandes escritores de hoje devem ser reconhecidos.

            Usa-se o conceito de entretenimento para diminuir alguma obra. O prazer da leitura deve estar superior a qualquer tipo de preconceito. As pessoas devem se sentir livres e orgulhosas de bater no peito e gritar ao mundo que livro elas gostam. É preciso parar com esse discurso (que já cansou muita gente, diga-se de passagem) de cultura erudita vs cultura popular. O conhecimento era algo destinado apenas à elite, criando um conceito de exclusão na literatura. Hoje, porém, temos a tecnologia e a informação ao nosso favor e, contrário ao que muitos dizem, essa sociedade atual, graças às grandes invenções digitais, aumentou o gosto pela palavra e pelo texto. Então, é preciso criar um ambiente que permita a entrada desses peregrinos ao lado lindo da Força. E isso acontece com aquela palavrinha básica e muito importante: respeito.

            O leitor que não segue um modelo único NÃO é burro, pouco exigente, ou até mesmo superficial. Ele é apenas um leitor. Com gostos e desgostos.

Vamos acabar com o conceito de "o que é fácil de ler não tem valor literário". Tem, sim! Vai continuar tendo. É muito simples escrever textos para um grupo de pessoas conservadoras, com palavras bonitas e figuras de linguagem ao extremo. Difícil é escrever fácil e fazer com que o outro se emocione com a sua escrita. Difícil sempre será emocionar alguém com suas palavras. Difícil é fazer com que a pessoa se sinta acorrentada à leitura. Difícil é tocar o coração de alguém. É simples fazer uma interpretação profunda sobre um livro que todos classificam como "literatura". Difícil é pegar o livro que todos chamam de "cultura pobre" e levar ensinamentos para o resto da vida.

E, nas palavras do inesquecível C.S. Lewis (já que nos baseamos em autores do século passado): "A grande leitura não exige perícia ou força; exige, ao contrário, desarme e paixão."

Leiam aquilo que vocês são apaixonados. Não importa o que seja. O gosto não é errado e não deixe que alguém diga o que vocês devem ler, não importa se é a escola, a faculdade, os pais, os amigos, e etc. Esqueçam o que é o "dever" e se concentrem no "querer". Diversão e conhecimento podem estar interligados, é preciso ter apenas o discernimento para fazer isso acontecer.

E, nas palavras de Felipe Pena, doutor em Literatura, com sei lá quantas graduações e formações no exterior (porque também nos baseamos em letrados que nunca sabemos quem são direito. Desculpe, mamãe e papai): "Em literatura, entretenimento é a sedução pela palavra escrita. É a capacidade de envolver o leitor, fazê-lo virar a página, emocioná-lo, transformá-lo.".
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Baixa Autoestima Literária e Suas Consequências

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017


Por: Sthefany Beatriz

Olá, gente! ~euzinha outra vez.

Eu pensei muito sobre como seria a melhor forma de começar este post, mas, no fim, resolvi que iria contar este fato a vocês, porque nosso assunto é um pouco denso pra eu ficar colocando questões filosóficas. 

Acho que eu nunca desclassifiquei uma fanfic por gênero, até pelo fato de ser uma fã assumida de clichês seja como leitora ou como escritora, todavia, vejo ataques constantes a ideias “batidas”, como se as pessoas fossem obrigadas a ter interesse em uma obra só porque ela foge dos padrões.

Quando comecei a pensar o porquê a história alheia causa tanto incômodo, percebi que os motivos seguem quase que o mesmo padrão do poste anterior. E que é uma mescla de frustração e até desespero por não ter o próprio trabalho reconhecido. Sabe o que eu concluí?

Um dos grandes motivos que isso acontece é porque nos colocamos no centro do mundo.

Talvez você esteja fazendo uma careta e me chamando de louca depois dessa minha conclusão, porém é verdade. Nem todas as pessoas inferiorizam por causa disso, só que uma grande parte faz.

A gente sabe que não é o centro do mundo propriamente dito, entretanto, achamos que somos o centro do mundo de alguns/alguém (pai, mãe, avó, etc.) ou que fazemos parte do mundo de alguém. Vejam a lógica: mesmo que meu trabalho não seja bom, as pessoas que me amam irão valorizá-lo, dizendo que amou e que vou melhorar ainda mais e tals. Alguns amigos vão falar, com tato, que isso ou aquilo pode melhorar, sempre com otimismo. Só porque eu me esforcei, fui recompensada, fui reconhecida mesmo, talvez, não tendo feito algo tão bom.

Por quê? Porque eu faço parte do mundo de alguém, sou o centro do mundo dos meus pais de certo modo. E eu esperei muitas vezes que as pessoas me recepcionassem assim... pois, oras, eu me esforcei.

É algo natural achar que vai ser recompensada depois de fazer esforço. Vivem nos dizendo isso em todos os locais: na escola, em casa, na rua, nos programas de TV. Bem, se você já foi estagiário ou é um assalariado certamente vai ser mais realista — vamos marcar pra beber e reclama dessa mentira :) —, só que isso é o que achamos natural.

E a nossa frustração é essa, sabe? Precisamos entender que as pessoas não são obrigadas a nada, absolutamente nada. E não vale dizer algo parecido da boca pra fora, pois eu já fiz isso muitas vezes e era só dela pra fora mesmo.

Muitas vezes, não temos um nome real ou um rosto, somos só um nickname que fez uma história brotar no site de fanfics. Parece meio cruel tudo que eu estou falando, não é? Uma pena que é verdade.

Estatisticamente, você vai encontrar inúmeras pessoas que preferem um clichê adolescente a um mistério da senhora Christie. Que preferem Percy Jackson — insira qualquer infanto-juvenil — a Allan Poe. A vida já é tão difícil pra gente ter que estar bolando enredos complexos e que demandam tempo e paciência, ou lendo algo que exige muita concentração, conspiração e sofrimento. As pessoas querem aventuras bobas e sorrisos por beijos na chuva. Não todas, é claro, mas é assim comigo na maioria dos dias e com a maioria dos meus amigos também.

Eu não gosto de ser taxada de burra ou de ter um gosto menos refinado por isso. Na verdade, eu amo ler livros assim, principalmente porque não estou estudando e só trabalho meio período agora. Quando eu estudo é diferente. HEHE 

Foi horrível perceber que o mundo não tem obrigação nenhuma comigo, porque eu me enxerguei como um ponto pequeno no meio da galáxia — muito dramática — e, por um tempo, cheguei a ficar bem perdida. A vida não é um espinho pra cada mil pétalas; é uma pétala a cada um milhão de espinhos.

Ficar exaltando sua história porque ela é “diferente” e depreciando as outras não te torna um autor torturado que só vai ser apreciado depois da morte — mesmo que você tenha certeza disso, as pessoas só vão te achar louco, então... —,  só te torna chato e estigmatizado de invejoso ou prepotente. Talvez você não se importe, hein?

Sei que você está sendo narcisista pela euforia de achar que melhorou extremamente depois de toda frustração e negação que teve, mas isso ainda é inveja, viu? Também é algo natural e faz parte de tornar-se um escritor pra alguns, porém... nem tudo que é natural é bom.

Vou cutucar mais a ferida e te alertar que sua história pode não ser tão boa assim. Ou ela pode ser incrível e flopar por N fatores que não estão no seu controle, o que ainda não dá o direito de esnobar a escrita e o gosto alheio. É raríssimo ter uma ideia original, afinal, quantas coisas ainda não passaram pela imaginação do ser humano?

Muitas pessoas não são tão seguras como você se diz ser, muitas pessoas ficam mal vendo sua diversão sendo tão inferiorizada. Eu e muitas outras estamos escrevendo para fugir um pouco desta vida tão apressada, não almejamos ser autoras(es) profissionais — digamos que não é nossa prioridade, mas se aparecer, que bom! — e exigimos respeito.

O problema de quem faz isso é baixa autoestima e nenhuma outra pessoa deve pagar por esse problema, salvo quem sente. É horrível ter isso, eu já tive e sei. E mais triste ainda é perceber o quanto de merda já fizemos por causa dela. Não seja mais assim. Se não pelo outros,  faça por você.

Agora, fiquem refletindo com Poseidon.

Até mais.
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Não se Pressione Para Ser um Bom Escritor

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Por: Sthefany Beatriz

“Dedico minhas vitórias a serie de fracassos de outrora”. Eu acho que esta frase é perfeita para começarmos a nossa sincera e necessária conversa.
Bem, mas primeiro vou me apresentar devidamente: meu nome é Sthefany, sou uma beta do Nyah!, e também sou uma leitora e autora, que entende um pouco seus anseios.
Sempre que eu penso sobre ser uma boa autora, reflito muito todo o percurso que fiz até chegar aqui — apenas no meio do caminho, rs — e em como eu me cobrava de modo extenuante. Eu vou dividir este post em quatro partes para melhor compreensão, tudo bem? Serão frustração, comparação, inveja e desgosto. Entretanto, quero falar um pouco sobre minha história antes disto.
Vamos falar da euforia de escrevermos nossas primeiras fanfics ou originais e da forma como encaramos o modo como elas foram desenvolvidas. Eu, por exemplo, não consigo recordar em nada, pois era muito nova e já faz certo tempo.  E, sim, como vocês devem imaginar, foi horrível. Meu domínio sobre à norma culta do português era irrisório, tornando a leitura quase incompreensível, e vendo que eu não tinha o domínio necessário sobre o enredo, parei de escrever e só tornei a tentar há cerca de um ano e meio.
E quando eu voltei, fui ficando cada vez mais frustrada com o nível das minhas fanfics. Eu não sabia narrar de formar natural e mesclar a narração de acontecimentos com a narração de pensamentos. Tentar em primeira pessoa? Há, um verdadeiro suplício.
Nada saia do jeito que eu queria, sempre parecendo mecânico demais, confuso ou qualquer outro adjetivo que você possa imaginar. Veio, então, a comparação com as minhas autoras favoritas (coloquei no feminino porque eram autoras mesmo, tá?). 
Eu comparava com a escrita delas, com o alcance das historias delas e olhava pra minha e juro que me batia uma sensação horrível de desespero. Não era possível que eu escrevesse tão mal a ponto de não receber nem mesmo um acompanhamento. Minhas histórias flopavam muito, muito MESMO. E não havia nada que eu fizesse que desse um resultado diferente.
Aí ei comecei a ter inveja do sucesso delas. Algumas vezes, no auge da minha raiva, eu chegava a ser um pouco venenosa demais. É bem desconfortável falar sobre o assunto assim, então espero que este post sirva para vocês.
E o desgosto veio logo depois, onde eu quase apaguei meu perfil e todas as fics pelas quais eu tinha tido tanto trabalho. Quando eu falo assim, parece apenas birra de criança... e eu sei que alguns de vocês irão pensar a mesmíssima coisa.
Agora, que falei um pouco sobre meus sentimentos, vamos falar tópico por tópico de uma maneira realista. Quero dizer pra vocês que não quero ser pessimista ou otimista, apenas argumentarei porque se pressionar tanto e de maneiras tão tóxicas só vai os atrapalhar. Vamos lá!
Frustração: ela é uma coisa que, normalmente, chega por causa do baixo resultado esperado depois de postarmos uma história com toda empolgação do universo. Gente, nenhum escritor é imune a este sentimento. J.K. Rowling teve frustrações antes de ser uma referência para quase toda uma geração. Por quantas editoras ela passou antes de conseguir uma chance? Só lembro que quase não dá para contar nos dedos.
Eu entendo que vocês se sintam frustrados e xinguem muito todas aquelas pessoas sem rostos do contador. “Poxa, nenhum comentário? Sacanagem. Bando de...”  Perdi as contas de quantas vezes eu fiz isso. HAUHAUHAU
E que a vontade de pegar aquele que acompanhou ou favoritou e dizer que não vai continuar nada sem nenhuma crítica é intensa. Ajuda aí, amigo. Todavia, é uma coisa muito okay de sentir. É ruim? É, mas não existe escritor sem frustração.  Quase nada na vida, na verdade.
Pensem toda vez naquelas inspirações de vocês, coloquem quadros, frases, citações. Façam tatuagens ~ brincadeira...ou não.
Muitas vezes o que precisamos é de uma dose de animação e encontrar ou ter como referência alguém que passou pela mesma coisa é reconfortante.
Comparação: juro que, pra mim, é o pior sentimento. Comparar os seus trabalhos com o do outro é desleal com vocês e com eles. Porque essa atitude nega toda singularidade e meio de vida de cada um.
Eu sou eu porque vivi determinadas coisas, assim como acontece com vocês ou com aquele autor que tanto admiram.
Não podemos negar as vivências alheias, entende? Isso é quase um crime, galera!
“Ah, mas aquele tal autor escreve divinamente desde sempre”. Tá, vamos entender alguns dos possíveis motivos pra isso acontecer:
1. Ele(a) pode ter começado depois de já estar na faculdade e ter um domínio maior da escrita, principalmente se cursar letras ou algum curso de comunicação/humanas. Acreditem em mim, ajuda bastante.
2. A preparação para fazer a primeira fanfic pode ter sido enorme. Essa pessoa pode ter feito enumeras pesquisas, lido artigos, deixado à escrita afiada — tanto gramaticalmente quanto coerentemente — e escrito milhões de vezes sem ter postado.
3. Pode ser uma pessoa com facilidade na escrita... quando tudo que escreve é fluido e bom. Da uma certa raivinha, mas isso não quer dizer nada. ~ Alô, Maito Gai, verdadeiro herói de Naruto. E ter facilidade não quer dizer não precisar fazer nenhum esforço. Não confundam, por favor.
4. Pode escrever há anos e ter apagado suas histórias que considerava mal escritas. Eu vim descobrir esses dias que uma autora que curto muito está prestes a completar uma década escrevendo. Ela excluiu quase cinco anos de fanfics.
Eu enumerei alguns que julgo serem mais comuns, porém a lista é infinita. Ter contato com pessoas que são boas também ajuda, porque sempre que rolar aquela dúvida vocês têm a quem recorrer.
Inveja: Um tema bem delicado pra maioria, quase um tabu. Todas as vezes que tentei conversar sobre o assunto ou fui recriminada ou concordaram falando coisas bem absurdas.
Primeiro, saibam que inveja é algo normal e todo mundo têm. Todo mundo mesmo. Alguns têm mais outros têm menos, mas ninguém está imune. Logo, eu acho um absurdo as pessoas ficarem horrorizadas se é uma coisa que não beira a psicopatia.
Muitas vezes um pouco inveja nos faz correr atrás do nosso melhor, porque admiramos e queremos ser tão bons quanto. Analisamos de forma mais crítica e extraímos o que achamos ser o diferencial daquela escrita. E, quando enxergamos com uma perspectiva mais madura, nosso coração vai sentir apenas admiração, todavia, este processo pode ser lento, então tomem seu tempo e reflitam.
O que não podemos é querer desmerecer e buscar defeitos naquilo que NÓS gostamos para minimizarmos nosso complexo de inferioridade. Vejam bem: se vocês adoraram aquela obra e depois ficam procurando uma forma de rebaixar aquela escrita, estão rebaixando o bom gosto que têm... Irônico, né? E é uma coisa que acontece que uma frequência um pouco chata. Na verdade, existem milhões de post’s assim no grupo oficial do Nyah! no Facebook.
Desgosto: É meio que uma junção de todos os outros tópicos, certo? Mescla a frustração com os resultados e as dúvidas com suas escritas, a comparação de como deveria ser e a inveja por não conseguir mesmo tentando.
É horrível a sensação de desmotivação ao sentar e tentar colocar suas ideias em prática, eu sei. E para alguns é ainda pior, pois seus sonhos precisam que isso não aconteça. Ser um autor não é fácil.
Ver aquele plot que você achou maravilhoso relegado ao esquecimento...não é só sobre escrita, é sobre algo que te dá prazer e depois só raiva e tristeza. A maioria das pessoas escreve fanfics apenas por prazer e ver isso acabando pode te fazer desistir por um tempo, até mesmo para sempre.
Não posso dizer como vocês vão reagir, se é melhor desistir ou se afastar um tempo pra voltar mais tranquilo e focado.
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Tá, mas vocês só escreveu o óbvio.  Talvez eu tenha escrito, mas só pra dizer uma coisa: é normal.
Assim como a hipercorreção depois de um tempo de análise, onde tudo que fazemos é procurar defeitos, deixando de apreciar nossa própria obra pra virar um corretor/crítico ambulante. Assim como um narcisismo exacerbado ao ver resultados depois de tanto sofrimento. Esses sentimentos são o que nos faz humanos.
Aceitem todas essas fases com paciência; elas passarão. Tudo passa.
Vocês farão obras incríveis e depois voltarão com algo meia boca não tão bom, acontece com Neil Gaiman, com Allan Poe, com Rick Riordan, com Jane Austen — há quem discorde de mim, é claro —, porque ninguém é uma maquina pra produzir só coisas primas.
Quem sabe vocês não serão Best-seller algum dia? Se este post ajudar, não se esqueçam de mim. :)
Uma série que começou em uma fanfic, pra muitos um clichê mal escrito, virou uma das melhores obras adultas que li. Comecei a ler a fanfic quando tinha 11/12 anos e me apaixonei pelo clássico “Chefe x Secretária” no melhor estilo cão e gato. Claro que o livro consertou muitas coisas que não eram pertinentes, mas o livro não é marcante para mim, apenas engraçado e um pouco saudosista. No segundo livro, a melhora foi evidente; no terceiro... nossa senhora, um dos meus livros preferidos.  A qualidade do quarto não foi tão boa, mas o quinto voltou com tudo. Vocês devem estar familiarizados com esta série, se chama “Cretino Irresistível” e o terceiro livro é “Playboy Irresistível”. Inclusive, recomendo muito a leitura pra quem gosta do gênero.
Viram aí o que eu mencionei?
É tudo sobre analisar com outros olhos e não desistir pelas coisas que sempre vão acontecer, porque isto é a vida, não o The Sims. Não dá pra deixar tudo pré-programado, né?
Uma gramática impecável é essencial? Depende do seu ponto de vista, porém tornará a leitura mais agradável e prende a atenção dos mais exigentes, além de te ajudar em muitos aspectos da vida, inclusive num emprego.
O essencial é conseguir transmitir emoção em cada palavra, então procurem a melhor fórmula calmamente, tomando um bom chá — café, suco, smoothie — e sempre atentos.
Gostaria de escrever mais detalhadamente, mas não quero fazer disto um TCC, então, até mais.
Fiquem com Rikudo e Athena. ♥

(Mas se ‘cês quiserem, eu escrevo detalhadamente, viu? Só falar nos comentários! ;)
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O Escritor e o Medidor de Palavras

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Por: Nat King



“Livro bom, para mim, só de quinhentas páginas para cima!”

“Duzentas páginas nem é livro de verdade!”

“George R. R. Martin é rei!”

Quantas dessas expressões você já ouviu ou leu? Ou, ainda, quais delas você já usou?

Não é errado termos como preferência uma história que rende facilmente centenas de páginas, ou sermos atraídos por livros de lombadas largas que poderiam facilmente substituir tijolos em uma construção… O problema mora na ideia de que apenas esse tipo de livro é digno de atenção, em uma substituição de “julgar o livro pela capa” com o “julgar o livro pelas páginas”.

Com o passar do tempo, essa busca por milhares de palavras, estendeu-se às histórias digitais, o desejo de que nossas fanfics somassem tantas palavras quanto nossos trambolhos literários preferidos cresceu e, com ele, muitos de nós nos tornamos profundamente críticos quanto o que chamamos de rendimento. Afinal de contas, quantos de nós já finalizou um capítulo com tudo o que queríamos passar, tendo como soma final de palavras, desapontadoras duas mil? Às vezes nem isso! E quando sequer chega perto de mil? A morte! Vergonha para toda uma classe de escritores! Machado de Assis, se já não estivesse morto, cairia duro no chão, tamanha desgraça! Camões mudaria inclusive o curso, se esbarrasse com você na rua! José Saramago, então?! Clarice Lispector com toda certeza morreria, ela e seus dois pseudônimos.

Mas gente, calma, desde quando nos tornamos tão obcecados com isso?

Embora ainda hoje haja uma briga sobre o que é ser escritor de verdade (e termos nossas fanfics atacadas como se não fossem válidas no clubinho literário), nós mesmos temos nos cobrado criar histórias cada vez maiores e mais complexas, como se elas pudessem compensar a falta de credibilidade que muitas vezes nosso nome no Nyah provoque. Estipulamos tipo de enredo, mínimo de palavras, migramos de plataforma com a esperança de sermos levados mais a sério e, quando percebemos, o que começou como um prazer, tornou-se uma obrigação, uma briga de ego que culmina em um estresse desnecessário e textão nos grupos literários, questionando com profunda indignação: POR QUE FANFIC TAL TEM MAIS COMENTÁRIO DO QUE A MINHA HISTÓRIA SUPER INCRÍVEL E MARAVILHOSA??

Hey, calma lá, vamos conversar, fera, senta aqui e respira! Calma, eu não estou te julgando! Calma, eu não acho que você está tendo um chilique desnecessário! MEU DEUS DO CÉU, ABAIXA ESSA PEDRA!!

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Já é seguro me manifestar?

Prezada pessoa que escreve, eu não estou aqui para condenar sua frustração ou medir quando pode sentir isso, pelo contrário! Eu também acho frustrante ver história minha sem nenhum comentário e poucas visualizações… Também torço com todo meu coraçãozinho para os leitores fantasmas se manifestarem! E, principalmente, eu também comparo meus capítulos de mil e oitocentas palavras (ou menos) com aquela mega fanfic que cada capítulo estoura o limite de vinte mil palavras estipulado pelo Nyah. É onde mora o perigo.

Para muitos escritores, fazer uma ideia simples render capítulos enormes, é de uma naturalidade imensa. A escrita flui, os dedos se agitam no teclado e, em uma única sentada, está pronta uma cena cheia de detalhes, que transmite até mesmo cores e sabores… E a descrição nada mais foi que uma pessoa saindo da cama de manhã. Esse escritor é maravilhoso? Claro que é! Porém, não pela sua facilidade em fazer de cada capítulo um Game of Thrones tupiniquim, mas o de transmitir o que deseja naqueles parágrafos. E isso também é possível através de mil palavras, oitocentas, cem! As drabbles estão aí para provar o meu ponto!

O que muito acontece, nessa nossa busca de consolar a frustração em não atingirmos as metas absurdas estipuladas por nós mesmos, é a perigosa “encheção de linguiça”, o acréscimo de cenas desnecessárias que parecem segurar a história ou empurrá-la com uma enorme barriga, acompanhado ou não do uso de um palavreado rebuscado que estiquem suas linhas e aumente a contagem de palavras. Se antes achávamos estar pecando pela falta de texto, acabamos pecando pelo excesso de detalhes e aquela pessoa que tão naturalmente saía da cama de manhã com sete mil palavras, se arrasta sem nenhuma vontade de viver naquele amontoado de palavras que você forçou. Se nem ela está feliz, imagine seus leitores.

Imagine você.

Novamente, não é errado ter preferência por histórias mais compridas, tem até quem só procure fanfics com no mínimo quatro mil palavras por capítulo, sempre vejo fazerem esse tipo de pedido! E também, há quem prefira ler coisas mais curtas, como drabbles! Acho que vai da nossa preferência pessoal e parte dessa inconformidade em “escrever pouco” vem dessa nossa crença de que livro bom é livro comprido, mais de quatrocentas páginas, livro grosso que dê para enxergar a lombada de longe, como Harry Potter e as Relíquias da Morte. Mas quem só vê valor na quantidade de palavras de Relíquias da Morte, se esquece que A Pedra Filosofal nem foi tão comprido assim... Certas obras, como A Hora da Estrela, não precisaram de mais que noventa páginas para marcar gerações, ou ainda Edgar Allan Poe, com tantas obras em seu nome, teve ele gravado na história pelo memorável “Nevermore”, o “Nunca Mais”. Então não se preocupe com a quantidade de palavras que escrever, importe-se que, no fim, sua criação esteja do seu agrado. Tenho certeza de que você é capaz de transmitir tudo o que deseja, seja em vinte mil palavras, seja em cem.

Continue escrevendo. Continue criando. Celebre cada nova criação; nenhum outro seria capaz de fazer o que você está fazendo. Sua escrita é boa o bastante e nenhum contador de palavras pode medir isso por você.
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As imagens que servem de ilustração para o posts do blog foram encontradas mediante pesquisa no google.com e não visamos nenhum fim comercial com suas respectivas veiculações. Ainda assim, se estamos usando indevidamente uma imagem sua, envie-nos um e-mail que a retiraremos no mesmo instante. Feito com ♥ Lariz Santana