Como Escrever História sobre Balet - Parte I

  Por: Lollallyn (Palloma Antunes) Link: https://fanfiction.com.br/u/279239/ Olá!  Se está pensando em escrever uma história bailarin...

 
Por: Lollallyn (Palloma Antunes)
Link: https://fanfiction.com.br/u/279239/

Olá!
 Se está pensando em escrever uma história bailarinística e não tem um contato prático com o ballet, este post é especialmente para você. Essa não é uma dança fácil de praticar, imagina de descrever. Pensando nisso, esquematizei algumas dicas para auxiliar na construção de um enredo com essa temática, procurando facilitar o trabalho sobre os pontos chave. Então, pegue lápis, papel e suas sapatilhas e venha dançar um pouquinho comigo.
 Quando planejamos escrever sobre um tema específico, é importante produzir uma ambientação bem estruturada para que os leitores possam visualizar cada cena com clareza e se sintam realmente inseridos na proposta de enredo. No caso do ballet, por exemplo, descrever os passos, o ritmo da dança, as roupas de ensaio e/ou os figurinos de palco, as sapatilhas, o esforço dos músculos é essencial para dar aquele gostinho mágico e deixar a história palpável. Claro, não é preciso escrever tudo tim-tim por tim-tim (até porque, os leitores sem familiaridade com essa dança ficariam perdidos), basta dar a base necessária para que sua história, de fato, transmita as cenas que você imaginou.
 Então, vamos por partes:
 
OS PASSOS
 O ballet tem uma gama grande de passos que variam em graus de dificuldade, direçãoe e tamanho, e outros que são compostos por passos menores. Além disso, dependendo do método que o bailarino segue, alguns pormenores na execução dos passos recebem uma ênfase diferenciada. Mas esse é um detalhe que pode ser deixado de lado, visto que puxa para uma área mais técnica.
 Cada passo é acompanhado por uma posição de braços (mesmo que ele seja executado nos exercícios de barra), mas você pode pular essa parte também, pois ela pode variar dependendo do exercício. O importante é conhecer alguns passos básicos e preencher as descrições de maneira superficial, não deixando os leitores tão perdidos e permitindo que você tenha autonomia sobre sua narração.
“Os pés começaram a se mover calmamente em pas de valse, tornando-se mais ágeis conforme a música ia ganhando velocidade gradativamente. Aqui e ali surgia um floreio com um cambré, um attitude rápido.” — Pas de Deux, Sir AK’s¹
 A descrição sugere toda uma sequência, mas observe que o autor citou apenas três passos (os principais dessa sequência). Além disso, ele usa o pas de valse que é um passo composto por uma pequena coreografia de passos menores. Esse é o truque: temperar a narrativa com alguns nomes técnicos (apenas dos passos mais relevantes), transmitindo a cena de maneira satisfatória sem fazê-la parecer grego para o leitor. Nas notas finais, é legal deixar um glossário resumido explicando o que essas nomenclaturas significam na linguagem do ballet.
 Para dar uma mãozinha, separei uma lista com a descrição de alguns dos passos desse estilo:
  • Plié – (pliê) dobrar, flexionar
  • Tendu – (tandí) alongado (pé)
  • Battement – (bat'mã) batida, bater
  • Échappé – (exapê) escape, escapado
  • Relevé – (relevê) elevado
  • Sauté – (sotê) saltado
  • Attitude – (atitid') atitude. Pose do ballet inspirada em uma famosa estátua de Hermes/Mercúrio. O joelho fica prevento dobrado e a perna sustentada. A linha do attitude varia de acordo com o método. Também é o nome da posição de braços que acompanha a pose.
  • Arabesque – (arabésq') arabesco. Inspirado em ornamentos árabes, esse movimento consiste em sustentar a perna derrière, na linha da quinta posição. Pode ser feito fondu, elevée, saltando ou em attitude.
  • Passé – (passê) passado. É uma passagem; assim como na relação tendu-dégagé, o passé só é chamado assim quando ele é apenas uma passagem para outro movimento.
  • Retiré – (retirê) retirado. Movimento onde se sustenta a perna com a ponta do pé na altura do joelho da perna de base.
  • Coupé – (cupê). Diz-se que o nome deriva de 'sur le cou de pied' (sur le cu de piê - sobre o colo do pé). O pé é sustentado em ponta na altura do tornozelo, acima do colo do pé de base. Também varia de acordo com o método.
  • Frappé – (frapê) batido. Movimento que consiste em 'bater' a perna e fazer um breve développé. Pode ser feito em flex para ponta (para trabalhar a força de pé), bem como em coupé. Esse exercício trabalha agilidade e precisão.
  • Changée – trocar. Significa que no final do passo os pés estarão trocados, ou seja, o pé que estava incialmente na frente, vai estar atrás. A troca é feita em salto no ar.
  • Cambré – (cambrê) arqueado. Deslocamento do tronco para trás, criando um arco. Usado pra ornamentar. O cambré décoté é uma contração lateral, usada posta alongar e ornamentar.
  • Dégagé – (degajê) Passo de ligação. É basicamente um tendu que liga uma coisa à outra, por exemplo, na transferência da primeira pra segunda posição de pés.
  • Rond de Jambe – (ron dê jam) movimento em que desenhamos um círculo com a perna. Pode ser feito também com fondu, en l'air, grand ou demi.
  • Développé – (developê) desenvolver. A perna sai do chão, faz um passé ou coupé, passa por um attitude e termina completamente esticada. Pode ser feito em fondu também.
  • Enveloppé – (anvelopê) envelopar. Oposto do développé.
  • Raccourci – (racurrsí) recolhido. Termo do método Vaganova para o enveloppé.
  • Pas – (pá) significa "passo". São passos no ballet compostos por vários movimentos básicos, inspirados em observações.
  • Pas de Bourée – (pá dê burrê) passo inspirado em na dança folclórica de bourée. Pode ser composto de fondus, elevées, dégagés, coupés, etc. É usado para deslocamentos e é o passo do ballet com mais variações.
  • Pas de Basque – (pá dê basque) inspirado nas danças dos povos bascos/vascos. É composto por fondu, rond de jambe, glissade, chassé e dégagé.
  • Pas de Valse – (pá dê váls') passo de valsa/waltz. Também chamado às vezes de Balancé decoté (balansê decotê - balanço lateral). Composto por dégagé, elevée e coupé. Pode ser executado em tempo de valsa (1, 2, 3, 1, 2, 3, 1, 2, 3...) ou em tempo oitavas.
  • Pas de Chat – (pá dê chá) passo do gato, imita o salto felino. Basicamente dois passés feitos em sequência para deslocamentos. Possui uma variação italiana, que termina no coupé fondu.

AS APRESENTAÇÕES
 Aqui você pode se basear nos famosos ballets de repertório, como Dom Quixote, O Corsário, O Lago dos Cisnes, A Bela Adormecida, O Quebra Nozes entre outros. É um pouco difícil uma escola de dança remontar o repertório inteiro, geralmente o foco recai sobre os solos (também chamados de variações) e os grand pas de deux. E aqui pode rolar o truque: especificar o repertório e o solo, por exemplo, já sugere a ideia da coreografia inteira.

“Ana preparou-se com calma e respirou fundo. A introdução da música começava a fazer as caixas de som vibrarem, colocando-a em alerta para o início da dança. Suas pernas abriram-se em um arabesque saltado, então, de repente, ela já não era mais Ana, mas sim Harlequinade.” — Arquivo Sir AK’s²

 Aqui o autor cita a variação (recebe esse nome porque alguns passos podem ser adaptados dependendo da habilidade técnica do bailarino/do método adotado) de Harlequinade. Você pode dizer que solo é e temperar com alguns passos (como o arabesque nessa citação), como a dica na primeira sessão. Se sua coreografia for original, vale o mesmo: cite alguns passos e preencha a descrição com a música e as sensações da personagem.

Vamos encerrar a parte I aqui e fazer um pequeno intervalo (aproveite para alongar os músculos enquanto isso). Sinta-se à vontade para deixar suas dúvidas no comentário do post obrigada pela leitura.
Nossa dança continua no mês que vem!
 
Referências
https://fanfiction.com.br/historia/578313/Pas_de_Deux/¹. Acesso em 27 de maio de 2017, às 05h45. Citação permitida pelo autor.
Arquivos pessoais do autor Sir AK’s². Citação fornecida pelo autor em 27 de maio de 2017.

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